Friday, October 07, 2011

Amar


Amar

Perguntaste-me um dia o que era para mim amar, sorri e beijei-te...
«Da minha história já sabes quase tudo; já a revisitaste comigo.
Amar, um conceito tão simples e tão complexo... Amar para mim não será mais que ter-te a meu lado.
De repente tudo deixar para trás, largar toda uma vida para estar contigo...
Crescer contigo, crescer o eu, crescer o nós... Mostrar-me a ti, sem medos, sabendo que me vês por tudo o que sou, sabendo que me compreendes.
É estar contigo e ser mais eu, saber que complementas a minha essência da mesma forma que complemento a tua, duas peças do mesmo puzzle.
Amar é olhar-te nos olhos e ver a tua alma, da mesma forma que te mostro a minha. Num silêncio só nosso esgotamos todas as palavras do mundo e saber que o diálogo não se esgota.
Amar é (re)descobrir-te todos os dias; procurar pelos teus olhos e procurar o seu conforto; deslizar pelo teu corpo desnudado como se fosse a primeira vez.
Amar é dar tudo pelo sentimento que sei ser verdadeiro e que pode crescer...
Amar é libertar para que se possa crescer, perder se for esse o caso, pois amar não tem a ver com posse mas com os sentimentos que nos unem.
Amar é sofrer, sentir a tua ausência, sentir a tua dor; chorar as tuas lágrimas.
Amar é felicidade, abraçar-te quando chegas; partilhar os teus sucessos; rir contigo.
É nesta mistura de sentimentos e emoções, nesta confusão de conceitos que jaz um conceito tão simples e complexo como amar.
Por um momento amar-te...»
E acabo resumindo tudo o que disse, sorrindo e beijando-te...

Tormentedly Yours

Mente Atormentada

Tuesday, May 31, 2011

Noite Pagã


Noite Pagã

Encontras-te comigo no meu templo pagão,
Aceitaste o meu convite para pecar.
Por momentos foges à tua realidade secular.
Aqui tudo é milenar, as pedras, o chão...

Vens Bela, quase virgem, a tua leve túnica branca
Descalça quase deslizas pela folhagem,
Diriges-te para mim, suave como a aragem...
Abraço-te, Beijo-te, Mordo-te, saltas para mim, apoiando-te na anca.

Deito-te nesta pedra milenar, onde Deuses foram adorados.
A Lua ilumina o teu corpo, dispões-te como uma Deusa.
Ah como o desejo da carne me consome, sinto que te quero presa.
E mais uma vez, caindo por cima de ti, nos beijamos entrelaçados.

O desejo consome-me, as minhas mãos deslizam pelo teu corpo, procurando definir...
Deslizo pelo teu rosto, percorro suavemente os teus seios, perco-me em ti.
Em desafogo, começo-te a despir, tímida cobres-te, mesmo sabendo que ninguém nos vê aqui.
Afago-te os cabelos, beijo-te as orelhas, mordo-te o pescoço, já nem tentas fugir...

Nua estás agora, nua como eu aqui estava neste templo,
Aqui estamos parecendo Afrodite e Eros, como Min e Trebaruna.
O Desejo entre nós cresce, entre violência e ternura.
Empurro o teu corpo contra a pedra, agora te contemplo.

Deusa antiga percorro o teu corpo, sabes onde me dirijo.
Beijo teu lábios, teus pescoço, teus seios, tuas ancas...
Perco-me e encontro-me em ti, louco em danças.
Chego onde me dirigia, sopro levemente, todo o teu corpo fica rijo.

Provo-te, Quero-te, Saboreio-te, viro, revolvo, deslizo, reviro
A minha lingua discursa incessantemente, tu respondes com um suspiro...
As tuas ancas apertam-me, lutamos, gostamos, invisto novamente.
Tu, o teu sabor, o teu cheiro, és tu meu mundo, quero-o perdidamente.

O Céu, a Terra, o Inferno foram teus, todos os templos pagãos caídos, todos os prazeres sentidos
O teu sorriso, o meu sorriso, o teu corpo caído, neste templo caído
Levantas-te numa fúria maravilhosa, atiras o meu corpo ao chão, o desejo antigo, os desejos perdidos.
Agora és tu quem me beija, meu corpo é teu, as linguas que se tocam nossas, neste local proíbido.

Sinto tudo à flor da pele, o teu toque, os teus lábios, a tua lingua, todo eu entregue.
O meu corpo rijo, erecto, é tua canva, tu preênche-la com beijos, mordidelas, chupões, tu a artista, eu a tela.
O desejo transborda em ti, algo de novo em ti, desde há muito não liberta, aqui estás... Bela
Saltas para cima de mim, forças-me contra o chão com os teus braços, voltas a beijar-me, neste momento não há quem sossegue.

Agora a sede é tua, sabes o que queres e eu desejo que o tomes, anseio que o tomes
E tu satisfazendo o meu anseio e o teu desejo, diriges-te ao meu templo.
A tua boca é doce, a tua língua brava, os teus movimentos divinos.
A tua boca sussura-me gentilmente, a tua lingua revolta-se incessantemente, o teu desejo ardente.
Tu, o meu Olimpo, eu servo pagão de ti minha deusa, hoje proibídos.


Quero-te, anseio por te ter neste altar. O desejo já não o consigo sossegar. Agarro-te pelos teus cabelos alourados, deito-te nesta pedra milenar. E onde só os perdidos e excomungados têm lugar, te faço minha. Os meus movimentos, inicialmente, incontrolados de um desejo. Tu também descontrolada... Nesse descontrolo nos encontramos e seguimos, a noite é nossa, o desejo só nosso... Agarras as minhas costas, as tuas unhas cravadas no meu dorso. Os nossos corpos são um, assim como o nosso desejo... Tu escondias-te atrás de um dogma que nunca foi teu. Eu, tudo aquilo que te foi proibido. Os nossos corpos apenas um... O nosso ritmo acelera,a nossa paixão cresce. Os nossos corpos suados, Os nossos corpos marcados, A seiva corre entre nós, marca impura do que somos...

A noite foi nossa, tantas vezes a criámos, destruímos, repetimos, os nossos olhares trocam os segredos dos amantes, esta noite foi só nossa, ninguém a sabe, nem ninguém a saberá... As recordações para sempre nossas, os olhares serão a porta para o nosso local de pecado.

Tormentedly Yours

Mente Atormentada

Saturday, May 21, 2011

Soneto de Luxúria




Soneto de Luxúria


Olhas para mim chocada,

Como entrei aqui, pergunstas-te intrigada.

Benzes-te, que faço aqui.

Solo sagrado, sítio a que nunca pertenci.


Com os olhos dispo-te a alma, e o teu corpo agora desnudado.

Tudo em mim é desejo, tudo em mim é pecado...

O teu Deus já me chamou anjo, agora excumungado,

Os desejos que sente proíbidos, o fervor imaculado.


Onde eu ando Ele não vê, sou proíbido como o fruto.

Beijo-te soltando o desejo, o desejo que reprimias em absoluto.

Os nosso corpos tocam-se com a sede da paixão.

Toco-te, sinto-te, todo o teu corpo, conheço o teu coração.


Onde ninguém saberá , entregas-te completamente,

A luxúria entre nós transborda, trocamos carícias ardentemente.

Os nossos corpos revoltos, o teu corpo solto,

Deixas que te possua, que o desejo se torne revolto.


O que se passou, só nós sabemos.

O que se passará, Imaginamos...


Tormentedly Yours

Mente Atormentada

Monday, May 16, 2011

Draconian Night


A dark and weary night, a Draconian night... A night of rain and storms, a night of Raven and Lenore.

It is on a night like those that I write you, a night of prophecies... A night to make or acknowledge them, I do not know... I'll let the feather decide...

The wind is blowing strong, though its air is hot, it brings flashes of days already gone, it brings visions of what's to come. I stand there, weary, thinking about what to do. Looking at both past and future. I do not discern them, both seem like reruns... Both stand on hope and illusions, or just simply lies...

The frail illusions on which we build our dreams, are just that, illusions... Trying to disguise the emptiness that possesses us. Filling ourselves with a sense of Honour, Integrity, among other beautiful principles. We get ready to fight for them... And the bigger our illusions, the greater will be the intensity we will fight for them, the greater shall be our battles... The really deluded might even try to save the world, to heal everybody's wounds...

As the rain starts to pour in the room, I sense an urge to close it, yet I remain seated... I do not know if I'm waiting for someone to enter through it, or if this rampage of images will just stop, the reality is that I do not close it.

Oh Draconian night, why do you arise such emotions on this old man, why can't you leave the dead alone... Why do you remind me of the size of my illusions... How many lives have I given to them... And I know, oh Draconian night, when my strength is back I shall give much more. Don't remind me, oh Draconian night of the price to pay, for I shall pay it in advance if needed to. One man said "I regret having but only one life to give for my country", My regret is not having more lives to give to my kin... If I still have one hundred lives to live, all of them shall be for you.

Oh Draconian night, how you yell right now, should I not save one for me? Can I not be free? Let this dreamer be, oh Draconian night, until someone comes to share this dream with me. Until my Lenore, it shall be for evermore.

Tormentedly Yours

Mente Atormentada

Monday, December 13, 2010

Irmãos de Armas

"This story shall the good man teach his son;
And Crispin Crispian shall ne'er go by,
From this day to the ending of the world,
But we in it shall be remembered-
We few, we happy few, we band of brothers;
For he to-day that sheds his blood with me
Shall be my brother; be he ne'er so vile,
This day shall gentle his condition; "
Shakespeare Henry V : Act 4 Scene 3

A vocês com quem partilhei tantos campos de batalha, a vocês com quem partilhei o último...
O que vos dizer neste momento, agora que me encontro a caminho de Elísio, agora que o tempo de batalhas para mim findou.
Enquanto escolho as palavras com que vos deixo, penso em quantas batalhas jorramos o mesmo sangue e choramos as mesmas lágrimas. O seu número já não o sei, foram as que tinham de ser. As que valeram a pena e as que olhando para trás, não deviam ter sido travadas. Em todas elas um homem cresce e aprende, em todas elas se ganham cicatrizes que ensinam.

Aqueles que tiveram aqui o seu baptismo de sangue puderam perguntar-se qual o valor desta batalha, não foram reconhecidos, nem a sua carga lembrada. Como haverá algo a ensinar se ninguém sabe o que foi feito? Ninguém sabe como foram impedidos, o seu foco não estava neste local... Pois é, as nossas batalhas travam-se no esquecimento, apenas feitas para serem recordadas por aqueles que as travam ou pelos que as travarão no futuro ou por aqueles que muito procurarem...

O nosso trabalho não é procurar glória, apenas servir... Servir quando aquele cheiro que conhecemos nos chama, aquele sentimento nos preenche. Vemos demais, conhecemos demais, perdemos demais... Todos pensámos, pensamos ou pensaremos na utilidade de continuarmos a vir para estes campos. Também não tenho essa resposta para vocês, também continuei a vir apenas pelo sentimento que aqui deveria estar. Lutar por ideias e ideais, apenas isso...

Nunca se esqueçam que o nosso trabalho não é este, aqui apenas travámos o que achamos que devia ser travado. O vosso trabalho é feito uma pessoa de cada vez, uma alma de cada vez. Não se deixem enfraquecer pelos falhanços, aprendam e melhorem...

Não julguem aqueles que fugiram da batalha, ou mesmo aqueles que depois de lutarem a vosso lado se encontram do outro lado do campo de batalha. Já todos lutámos batalhas erradas, alguns aprendem e voltam... Mas não julguem. Julguem apenas a vocês, exijam apenas de vocês. Aqueles que também assim o fizerem iram aparecer ao vosso lado, como o fizeram nestes dias.

Mas agora, o meu tempo chegou... Agora apenas peço as minhas moedas para o barqueiro e o gentil crepitar das chamas, enquanto volto às cinzas donde vim...

Tormentedly Yours

Mente Atormentada

Sunday, April 11, 2010

Um Beijo Imperfeito

Um Beijo Imperfeito

Há quem queira a perfeição,
Há quem almeije o momento da perfeição.
Eu fico-me pela imperfeição,
Sei que tudo o que farei será imperfeito.
Sempre que toco nos teus lábios, quero mais...
Por muito bom que o momento seja, quero sempre mais.
Quero voltar a ir ao encontro dos teus lábios.

Sentir-te, verdadeiramente sentir-te.
Ao sentir os nossos lábios presos num silêncio puro,
Sei que me sentes, assim como eu te sinto.
O momento em que partilhamos tudo, o momento puro.
Mas o seu fim trás a imperfeição.
Deixa-me a querer mais, deixa-me na tentação.
A cada beijo desejo sentir-te mais.
Ansejo que o seu momento dure mais.
Almejo que cada beijo signifique mais.

A perfeição estaria num beijo eterno,
Num beijo sem fim.
Se um daqueles momentos em que nos tornamos um,
durasse eternamente.
Como esse momento nunca virá,
Resta-me aperfeiçoar cada momento,
um pouco mais perto da perfeição,
Contudo sem nunca a alcançar.

Quero sempre querer mais.
Quero sempre desejar o toque dos teus lábios.
Quero sempre desejar-te.
Quero para sempre querer-te mais.
Nunca perder a vontade do teu toque, pois já não melhora.
Nunca perder a saudade do teu beijo, pois significa o mesmo.
Buscar para sempre a perfeita imperfeição,
Que apenas me faz querer-te mais.
Contento-me por ser imperfeito,
Pois é isso que me leva ao teu leito.

Por isso todos os beijos que te dou e darei serão imperfeitos.
Serão sempre munidos da vontade do próximo beijo.
Do próximo Beijo Imperfeito.


Tormentedly Yours
Mente Atormentada

Thursday, December 24, 2009

Arriving Somewhere but not here

"I'm not the one who's so far away
When I feel the snake bite enter my veins.
Never did I wanna be here again,
And I don't remember why I came.

Candles raise my desire,
Why I'm so far away.
No more meaning to my life,
No more reason to stay."
Godsmack - Vodoo

O veneno, sente-se a encher o nosso corpo. Ah... sentimento à muito conhecido, temido, amado...
Um veneno que não nos mata, não, já criámos imunidade, apenas nos cria dormência. O momento de reflecção necessário para o próximo passo, o reagrupar de forças, vontades e correntes se assim o preferirem. (Re)erguer o EU, encontrar a motivação antiga, a força inatingível, a força incontrolável, a corrente que contraria a corrente... Só, acompanhado não interessa, a corrente não espera por outros, a corrente leva os outros.

Acima de tudo isso, a reflecção necessária para as próximas batalhas, a força necessária para as ganhar, a corrente que tudo arrasta, a corrente que tudo destrói... A força de camaradas caídos, a força de camaradas que juntarão o seu escudo no momento do embate. A paixão incontrolável que desencadeia a luta, mas a calma necessária para desferir os golpes necessários.

Mas enquanto o veneno nos vai enchendo, pensamos, apenas pensamos... As batalhas vão-se travando internamente enquanto o veneno nos enche. Umas ganham-se, outras perdem-se e outras apenas desaparecem... Desaparecem sem rasto, queremos travá-las mas apenas desaparecem... sem serem ganhas ou perdidas...
Essas são as mais difíceis, não sabemos o que fazer. Será que a batalha foi perdida? adiada? ganha não foi, isso sabemos, pois teríamos certeza, agora com a dúvida que nos invade o corpo não o sabemos. Esperamos que seja apenas um adiamento, pois há batalhas que não pudemos perder. Há outras que ganhamos quando as deveríamos perder... E essas custam-nos, não a curto prazo mas no longo. Muitas vezes parece que não nos custa, pois de facto não custa. Contudo quando o reverso da medalha nos é reapresentado, percebemos que essas batalhas não deveriam ter sido ganhas.

"Did you imagine the final sound as a gun?
Or the smashing windscreen of a car?
Did you ever imagine the last thing you'd hear as you're fading out was a song?

All my designs, simplified
And all of my plans, compromised
All of my dreams, sacrificed"
Porcupine Tree - Arriving Somewhere but not here

O nosso corpo já ficou imóvel e morto em muitos campos e orgulhosamente erguendo o seu escudo em outros tantos. A morte nunca nos trouxe significado extra, pois não é ela que nos define, assim como uma energia imensa que tudo absorve, é a paixão que nos define. A capacidade de sentir tudo ou nada, somos nós... Amantes com uma intensidade que sufoca, frios como uma pedra. Não nos peçam para irmos na corrente, pois nós somos a corrente. Tanto para o bem como para o mal, nós somos a força que sozinha resiste contra tudo, nós somos a força que eleva a multidão a seguir uma ideia. Nós caímos nas praias que nunca ousaram falar, nós sulevamos as ideias que não são mencionadas. Nós nunca existimos mas definimos a vida como nunca foi. Somos de tal forma estranhos que quando falamos de ideias com a intensidade que somos, olham-nos como se fossemos loucos. Somos a vontade no seu estado puro, a cascata que rebenta os muros que a vedam. Somos a morte no seu estado mais puro, vazio...

Aqui fica este texto a quem nunca conheceu a paixão pura, a quem nunca viu a morte no seu estado real, a quem nunca viu a corrente que contraria a corrente.

Aqui fica este texto a quem por momentos conviveu com a força que quebra muros, a quem olhou nos olhos o vazio e viu algo, a quem por momentos foi arrebatado por algo indomável.

Este é o nosso caminho, isto é quem somos...

Tormentedly Yours
Mente Atormentada